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Índia reabre embaixada em Cabul após 4 anos e reforça relações com o Taleban.


Reabertura marca o primeiro compromisso diplomático de alto nível da Índia com o governo insurgente desde 2021, incluindo doações humanitárias e acordos de cooperação.

A Índia anunciou que vai elevar sua missão técnica em Cabul a uma embaixada de pleno direito, marcando o primeiro engajamento diplomático de alto nível com o governo talibã desde a tomada de poder em 2021. A medida reafirma o compromisso de Nova Déli com a soberania e o desenvolvimento do Afeganistão. As informações são da Al Jazeera.

O ministro das Relações Exteriores da Índia, Subrahmanyam Jaishankar, entregou uma chave simbólica ao seu homônimo afegão, Amir Khan Muttaqi, durante a doação de ambulâncias.

"Uma cooperação mais estreita entre nós contribui para o desenvolvimento nacional, bem como para a estabilidade regional", disse Jaishankar em coletiva de imprensa conjunta.

Doação de ambulâncias (Foto: Dr. S. Jaishankar/Reprodução X)
Jaishankar destacou que a Índia está totalmente comprometida com a soberania e integridade territorial do Afeganistão, agradecendo a Muttaqi pelo convite a empresas indianas para explorar oportunidades de mineração no país. Ele publicou imagens do encontro com Muttaqi em sua conta no X.

A embaixada da Índia em Cabul havia sido fechada em 2021 após a retirada das forças da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) lideradas pelos EUA. Entre 1996 e 2001, durante o primeiro governo do Taleban, a Índia não manteve relações diplomáticas e apoiou a Aliança do Norte. Após a queda do grupo insurgente em 2001, a embaixada foi reaberta e a Índia investiu mais de US$ 3 bilhões em infraestrutura, saúde, educação e projetos de água.

A coletiva de imprensa foi marcada por restrições à imprensa, provavelmente solicitadas pelo talibã, que desde que retomou o poder reprime direitos das mulheres e meninas. Além disso, líderes talibãs, incluindo Muttaqi, estão sob sanções da ONU (Organização das Nações Unidas) por abusos de direitos humanos.

Reações internacionais
Embora diversos países mantenham embaixadas em Cabul, somente a Rússia reconhece formalmente o governo do Talibã. Índia, China, Irã, Paquistão, Turquia e outros têm relações diplomáticas limitadas. Recentemente, o Formato de Moscou reafirmou apoio à independência e unidade do Afeganistão, rejeitando qualquer retorno da presença militar dos EUA.

Conheça os 8 nomes que desafiam Putin — e por que a oposição está dividida



Saiba quem são Yulia Navalnaya, Mikhail Khodorkovsky, Garry Kasparov e outros nomes-chave que formam a oposição russa e suas trajetórias diante da repressão do chefe do Kremlin

A oposição russa contra Vladimir Putin enfrenta desafios históricos. Desde a invasão da Ucrânia em 2022, o Kremlin intensificou a repressão política, levando líderes opositores ao exílio ou à prisão. Entre as figuras centrais estão Yulia Navalnaya, Mikhail Khodorkovsky, Garry Kasparov, Vladimir Kara-Murza, Ilya Yashin, Dmitry Gudkov, Maksim Kats e Grigory Yavlinsky. As informações são da Radio Free Europe.

A trajetória da oposição russa é marcada por alianças estratégicas, vitórias simbólicas e conflitos internos. Alexei Navalny tornou-se símbolo da resistência, até sua morte em prisão russa em 2024. Sua viúva, Yulia Navalnaya, assumiu a liderança da causa, fortalecendo sua atuação internacional e organizando protestos contra a guerra.

Yulia Navalnaya (Foto: WikiCommons)
Mikhail Khodorkovsky, ex-oligarca, lidera o movimento pró-democracia Open Russia, enquanto Garry Kasparov atua como voz crítica de Putin em conferências internacionais. Vladimir Kara-Murza, sobrevivente de tentativas de assassinato, mantém intensa militância. Ilya Yashin e Dmitry Gudkov representam a oposição mais jovem, mesmo sob severa repressão.

Apesar das diferenças, essas lideranças formam um mosaico da resistência contra o autoritarismo russo. No entanto, as disputas internas na oposição russa dificultam a construção de uma frente unida, especialmente em meio a acusações mútuas e estratégias divergentes.

Em outubro de 2025, a Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa (PACE) criou uma "Plataforma para o Diálogo" com as forças democráticas russas no exílio, reforçando a importância internacional da oposição. Mas, de acordo com a reportagem, permanece o desafio: unir forças para enfrentar um regime consolidado e hostil à dissidência.

Principais figuras da oposição russa contra Putin
Yulia Navalnaya
Viúva de Aleksei Navalny e presidente da Fundação Anticorrupção. Líder no exílio, organiza protestos internacionais contra Putin e a guerra na Ucrânia, mantendo viva a luta pela democracia.
Alexei Navalny (falecido)
Símbolo da resistência russa, líder da Fundação Anticorrupção. Condenado e preso por acusações políticas, morreu em 2024 em prisão russa, em circunstâncias suspeitas.
Mikhail Khodorkovsky
Ex-oligarca, fundador da Open Russia e crítico feroz do Kremlin. Reside em Londres e mantém atividades pró-democracia, denunciando a repressão estatal na Rússia.
Garry Kasparov
Ex-campeão mundial de xadrez e político opositor. Vive nos EUA, organiza eventos e protestos contra Putin e enfrenta processos judiciais e acusações de "terrorismo" pelo Estado russo.
Vladimir Kara-Murza
Ativista de direitos humanos e crítico de Putin. Sobreviveu a ataques suspeitos de envenenamento, foi preso em 2022 e libertado em 2024. Hoje lidera movimentos de oposição no exílio.
Ilya Yashin
Ex-deputado e manifestante pacífico. Condenado a 8 anos e meio de prisão por acusações relacionadas a críticas à guerra, foi libertado em troca de prisioneiros em 2024 e segue ativo fora da Rússia.
Dmitry Gudkov
Ex-parlamentar e ativista liberal. Fundador do Comitê Antiguerra Russo e do think tank CASE, vive no exílio devido à repressão política e atua contra a guerra e o regime.
Maksim Kats
Ativista e organizador político. Ex-candidato municipal, vive em Israel após condenação à revelia e mantém canal no YouTube com milhões de seguidores, mobilizando contra Putin.
Grigory Yavlinsky
Economista e fundador do partido Yabloko. Crítico da guerra e das políticas autoritárias de Putin, continua ativo na Rússia apesar de pressão e processos judiciais.
Cenário de repressão
Muito antes da invasão em larga escala da Ucrânia, a oposição russa já enfrentava repressão estatal. Protestos massivos em 2011 abriram caminho para uma repressão contínua, intensificada com a guerra iniciada em 2022. Disputas internas, como divergências sobre representação no Conselho da Europa, revelam a dificuldade da oposição em construir uma frente única.

A morte de Aleksei Navalny e a prisão ou exílio de líderes tornaram o cenário ainda mais fragmentado. A criação da "Plataforma para o Diálogo" pela PACE é um passo, mas a unidade ainda é um desafio estratégico.



Conflitos eclodem entre forças do Hamas e membros de clãs armados na Cidade de Gaza



Forças de segurança afiliadas ao Hamas foram mobilizadas em Gaza para supervisionar a transição após a retirada israelense
Pelo menos 27 pessoas foram mortas em violentos confrontos entre as forças de segurança do Hamas e membros armados da família Dughmush na Cidade de Gaza, em um dos confrontos internos mais violentos desde o fim das principais operações israelenses no enclave.

Homens armados mascarados do Hamas trocaram tiros com combatentes do clã perto do hospital jordaniano da cidade, disseram testemunhas.

Um alto funcionário do Ministério do Interior, comandado pelo Hamas, disse que unidades de segurança os cercaram e travaram intensos combates para detê-los. O ministério afirmou que oito de seus membros foram mortos em "um ataque armado por uma milícia".

Fontes médicas disseram que 19 membros do clã Dughmush e oito combatentes do Hamas foram mortos desde o início dos combates no sábado.

Testemunhas oculares disseram que os confrontos começaram no bairro de Tel al-Hawa, no sul da Cidade de Gaza, depois que uma força do Hamas de mais de 300 combatentes invadiu um quarteirão residencial onde homens armados de Dughmush estavam entrincheirados.

Moradores descreveram cenas de pânico quando dezenas de famílias fugiram de suas casas sob pesados tiros, muitas delas deslocadas diversas vezes durante a guerra.

"Desta vez, as pessoas não estavam fugindo dos ataques israelenses", disse um morador. "Elas estavam fugindo do seu próprio povo."

A família Dughmush, um dos clãs mais importantes de Gaza, tem um relacionamento tenso com o Hamas há muito tempo, e seus membros armados entraram em confronto com o grupo em diversas ocasiões no passado.

O Ministério do Interior, comandado pelo Hamas, disse que suas forças estavam tentando restaurar a ordem, alertando que "qualquer atividade armada fora da estrutura da resistência" seria tratada com firmeza.

Ambos os lados trocaram acusações sobre quem foi o responsável por desencadear os confrontos.

O Hamas disse anteriormente que homens armados de Dughmush mataram dois de seus combatentes e feriram outros cinco, levando o grupo a lançar uma operação contra eles.

No entanto, uma fonte da família Dughmush disse à mídia local que as forças do Hamas chegaram a um prédio que antigamente servia como Hospital Jordaniano, onde a família se refugiou depois que suas casas no bairro de al-Sabra foram destruídas no recente ataque israelense.

A fonte afirmou que o Hamas tentou despejar a família do prédio para estabelecer uma nova base para suas forças lá.

O Hamas convocou cerca de 7.000 membros de suas forças de segurança para reafirmar o controle sobre áreas de Gaza recentemente desocupadas pelas tropas israelenses, de acordo com fontes locais.

Relatos sugerem que unidades armadas do Hamas já foram mobilizadas em vários distritos, algumas vestindo roupas civis e outras com os uniformes azuis da polícia de Gaza. A assessoria de imprensa do Hamas negou que estivesse mobilizando "combatentes nas ruas".



"Eles destruíram tudo": palestinos voltam a sofrer devastação na Cidade de Gaza




Milhares de palestinos começaram a retornar do sul de Gaza para a Cidade de Gaza, semanas depois de fugir da ofensiva israelense que transformou grande parte da cidade em escombros.

Imagens mostraram um grande número de pessoas caminhando para o norte, por estreitas estradas costeiras danificadas, em direção às torres desabadas e aos prédios em ruínas da maior cidade do território.

Os retornados, muitos viajando a pé por mais de 20 km, carregavam o que restava de seus pertences nas costas. Aqueles que podiam pagar caro para alugar carroças puxadas por burros ou pequenos caminhões para fazer a árdua jornada rumo ao norte.

Alguns agitavam bandeiras palestinas e faziam sinais de vitória. Mas o clima predominante era de exaustão. Muitos pareciam fracos e desnutridos após meses de deslocamento, fome e medo.

"A estrada é longa e difícil, não há comida nem água", diz Alaa Saleh, um professor que fugiu da Cidade de Gaza com sua esposa e seis filhos para Khan Younis.

"Deixei minha família para trás e comecei a caminhar para o norte. Milhares de pessoas ao meu redor estão passando por dificuldades. Alugar um carro custa cerca de 4.000 shekels (£ 924; US$ 1.227), muito acima do que a maioria das pessoas pode pagar."

Os que retornam dizem que são movidos pelo desespero, e não pela confiança de que o lugar é seguro. Muitos já foram informados de que suas casas não existem mais.

Cerca de 700 mil pessoas da Cidade de Gaza e do norte foram deslocadas pela ofensiva israelense, que incluiu intensos bombardeios aéreos e a entrada de tropas em alguns bairros. O exército israelense descreveu a Cidade de Gaza como o "último reduto" do Hamas.

Depois que eles recuaram sob os termos do cessar-fogo e do acordo de libertação de reféns firmado entre Israel e o Hamas e aprovado pelo governo israelense, os moradores do norte e oeste da Cidade de Gaza ficaram atordoados com a devastação sem precedentes deixada para trás.

Pela primeira vez em semanas, as pessoas entraram nas áreas de Sheikh Radwan, Karama e Beach Camp e encontraram blocos residenciais inteiros arrasados, centenas de casas destruídas e grande parte da infraestrutura das áreas destruída.

Dezenas de vídeos nas redes sociais mostram moradores caminhando pelos escombros, filmando o que resta de seus bairros. Em um dos vídeos, um homem diz: "Esta é a última área que podemos alcançar. O exército israelense ainda está por perto. Veja a escala da destruição, eles destruíram tudo."

Outros vídeos mostram destruição semelhante nos bairros de Sabra e Zeitoun, ao sul e leste, onde blocos de apartamentos inteiros foram arrasados.

Enquanto alguns filmavam as ruínas, outros correram para ajudar as equipes de Defesa Civil de Gaza do Hamas a recuperar corpos sob os escombros. O porta-voz Mahmoud Basal disse à BBC que oito corpos foram retirados do norte de Gaza na manhã de sexta-feira, enquanto as equipes de resgate continuam as buscas "com meios muito limitados" em outras áreas.

Após dois anos, a escala de contaminação por artefatos explosivos não detonados (UXOs) ainda não foi totalmente determinada, afirmou o Grupo Consultivo de Minas (MAG). UXOs estarão presentes nos escombros de edifícios destruídos, para onde muitas pessoas estão retornando.

Apesar da retirada das forças israelenses de vários distritos, o acesso a muitas partes da Cidade de Gaza ainda é restrito.

Enquanto isso, a outrora movimentada orla marítima da cidade, onde as famílias se reuniam nas noites de verão, tornou-se um corredor de tendas e concreto quebrado, local de uma migração em massa através das ruínas.

Persistem os receios de que a frágil calma possa ser temporária, mas para Alaa Saleh, o professor, retornar para o norte parecia a única opção.

"Minha casa foi destruída há um ano. Eu morava em uma barraca sobre as ruínas e vou voltar e armar minha barraca novamente. Só queremos reconstruir. Estamos cansados de viver em barracas que não nos protegem nem do calor do verão nem do frio do inverno."

Wael Al-Najjar, que estava voltando para sua casa em Jabalia, no norte, disse que foi deslocado três vezes desde o início da guerra.

Assim que a notícia do acordo de cessar-fogo foi divulgada, ele se preparou para voltar para casa.

"Estamos esperando, sentados na faixa de pedestres. Meu filho e eu dormimos aqui ontem à noite, na calçada, no frio, esperando para voltar para casa", disse ele a um repórter freelancer da BBC.

"Mesmo que a casa seja destruída, mesmo que sejam apenas escombros, voltaremos, montaremos uma barraca e retornaremos ao nosso povo."

BBC

O que sabemos sobre o acordo de cessar-fogo em Gaza e a libertação de reféns




O Hamas começou a entregar reféns israelenses e estrangeiros mantidos em Gaza em troca de prisioneiros e detidos palestinos, como parte da primeira fase do plano de paz de Donald Trump para Gaza.

O acordo fez com que um cessar-fogo entrasse em vigor na sexta-feira passada e maiores quantidades de ajuda entrassem na Faixa no fim de semana.

Após a conclusão da primeira fase, espera-se que as negociações continuem sobre os detalhes das fases posteriores.

Aqui está o que sabemos.

Quem são os reféns que estão sendo libertados?
O acordo de cessar-fogo que entrou em vigor na sexta-feira deve fazer com que o Hamas liberte todos os 48 reféns israelenses e estrangeiros que ainda mantém presos após dois anos de guerra, dos quais apenas 20 estão confirmados como vivos.

Todos, exceto um, estavam entre as 251 pessoas sequestradas durante o ataque do grupo palestino ao sul de Israel em 7 de outubro de 2023, durante o qual cerca de 1.200 outras pessoas foram mortas. Israel respondeu lançando uma campanha militar em Gaza, durante a qual mais de 67.000 pessoas foram mortas, de acordo com o Ministério da Saúde do território, administrado pelo Hamas.

Na manhã de segunda-feira, o Hamas entregou 20 reféns vivos, divididos em dois grupos, ao Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV).

Autoridades israelenses disseram que o primeiro grupo era composto por Eitan Mor, Gali Berman, Ziv Berman, Omri Miran, Alon Ohel, Guy Gilboa-Dalal e Matan Angrest.

O segundo grupo era formado por Bar Kupershtein, Evyatar David, Yosef-Chaim Ohana, Segev Kalfon, Avinatan Or, Elkana Bohbot, Maxim Herkin, Nimrod Cohen, Matan Zangauker, David Cunio, Eitan Horn, Rom Braslabski e Ariel Cunio.

Uma cópia do acordo de cessar-fogo publicada pela mídia israelense afirma que os restos mortais de todos os reféns falecidos também devem ser entregues até as 12h, horário local (09h GMT), de segunda-feira. Mas também parece reconhecer que o Hamas e outras facções palestinas podem não conseguir localizar todos eles dentro desse prazo.

Uma autoridade israelense disse que uma força-tarefa internacional começaria a trabalhar para localizar os restos mortais de todos que não foram devolvidos.

Quem são os prisioneiros palestinos que estão sendo libertados?
Em troca dos reféns, Israel concordou em libertar 250 prisioneiros palestinos que cumprem penas de prisão perpétua em prisões israelenses e 1.718 detidos de Gaza, incluindo 15 menores.

Listas atualizadas dos nomes dos detidos e prisioneiros foram publicadas pelo Escritório de Imprensa dos Prisioneiros, administrado pelo Hamas, na manhã de segunda-feira.

A lista de prisioneiros não inclui figuras importantes que cumprem várias penas de prisão perpétua por ataques mortais contra israelenses — incluindo Marwan Barghouti e Ahmad Saadat — cuja libertação o Hamas exigiu.

A mídia israelense informou na semana passada que cerca de 100 dos 250 serão libertados para a Cisjordânia ocupada, 15 para Jerusalém Oriental ocupada e 135 serão deportados para a Faixa de Gaza ou outro lugar.

Não está claro se um atraso na libertação de todos os reféns falecidos também poderia atrasar a libertação dos prisioneiros palestinos.

O que mais foi acordado na primeira fase do plano de Trump?
O cessar-fogo entrou em vigor em Gaza às 12h00, horário local (09h00 GMT de sexta-feira).

No fim de semana, quantidades maiores de ajuda começaram a entrar no território.

O exército israelense disse que suas tropas se retiraram para uma linha detalhada no acordo, o que o deixa no controle de 53% de Gaza, de acordo com um porta-voz do gabinete do primeiro-ministro.

Um mapa compartilhado pela Casa Branca na semana passada indicou que esta foi a primeira das três etapas da retirada israelense, com as outras etapas previstas para ocorrer durante as últimas fases do plano de paz de Trump.

Uma força multinacional de cerca de 200 soldados, supervisionada pelo exército americano, monitorará o cessar-fogo, de acordo com um alto funcionário americano. Acredita-se que a força inclua tropas do Egito, Catar, Turquia e Emirados Árabes Unidos.

A autoridade disse que o papel da força seria supervisionar e observar o cessar-fogo e "garantir que não haja violações ou incursões". Um segundo alto funcionário americano disse que nenhuma força americana estaria em Gaza.

E as fases posteriores?
Se os reféns e prisioneiros forem trocados com sucesso, acredita-se que as negociações prosseguirão nas últimas fases do plano de 20 pontos de Trump.

Mas muitos pontos podem dificultar um acordo.

O plano, que você pode ler na íntegra aqui , diz que, se for acordado por ambos os lados, a guerra "terminará imediatamente".

Diz que Gaza seria desmilitarizada e toda "infraestrutura militar, terrorista e ofensiva" seria destruída.

O documento também diz que Gaza seria inicialmente governada por um comitê temporário de transição de tecnocratas palestinos, supervisionado por um "Conselho de Paz" liderado e presidido por Trump e envolvendo o ex-primeiro-ministro do Reino Unido Tony Blair.

A governança da Faixa de Gaza acabaria sendo entregue à Autoridade Palestina — que administra a Cisjordânia — depois que ela passasse por reformas.

O Hamas — que governa o território desde 2007 — não desempenharia nenhum papel futuro em sua governança, direta ou indiretamente, de acordo com o plano.

Os membros do Hamas receberiam anistia se se comprometessem com a coexistência pacífica ou receberiam passagem segura para outro país.

Nenhum palestino seria forçado a deixar Gaza e aqueles que desejassem sair seriam livres para retornar.

Um "plano de desenvolvimento econômico de Trump para reconstruir e energizar Gaza" seria criado por um painel de especialistas.

Quais são os principais pontos de discórdia?
É provável que haja vários pontos de discórdia durante as negociações sobre as fases posteriores do acordo.

O Hamas já se recusou a depor as armas, dizendo que só o faria quando um estado palestino fosse estabelecido.

O grupo também não mencionou o desarmamento em sua resposta inicial ao plano no último fim de semana, alimentando especulações de que sua posição não havia mudado.

E embora Israel tenha concordado totalmente com o plano de Trump, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu pareceu rejeitar a possibilidade de a Autoridade Palestina estar envolvida em uma Gaza pós-guerra, mesmo estando no pódio ao lado do presidente na semana passada.

O Hamas também disse que espera ter algum papel futuro em Gaza como parte de "um movimento palestino unificado".

Outro ponto de discórdia é a extensão da retirada das tropas israelenses. Israel afirma que, com sua primeira retirada, manterá o controle de cerca de 53% de Gaza. O plano da Casa Branca indica novas retiradas, de cerca de 40% e, em seguida, de 15%.

O estágio final seria um "perímetro de segurança" que "permaneceria até que Gaza estivesse devidamente protegida de qualquer ameaça terrorista ressurgente".

O texto aqui é vago e não fornece um cronograma claro para a retirada total de Israel — algo que o Hamas provavelmente quer clareza.


Israel e Hamas assinam cessar-fogo em Gaza e acordo sobre reféns

JERUSALÉM/CAIRO, 9 de outubro (Reuters) - Israel e o grupo militante palestino Hamas assinaram um acordo na quinta-feira para cessar fogo e libertar reféns israelenses em troca de prisioneiros palestinos, na primeira fase da iniciativa do presidente dos EUA, Donald Trump , para encerrar a guerra de dois anos em Gaza que abalou o Oriente Médio.

Tanto israelenses quanto palestinos comemoraram o anúncio do acordo, o maior passo até agora para encerrar dois anos de guerra, nos quais mais de 67.000 palestinos foram mortos, e devolver os últimos reféns capturados pelo Hamas nos ataques mortais que deram início ao conflito.

O chefe exilado do Hamas em Gaza, Khalil Al-Hayya, disse ter recebido garantias dos Estados Unidos e de outros mediadores de que a guerra havia terminado. O governo israelense, por sua vez, deveria ratificar o acordo, o que permitiria que o cessar-fogo entrasse em vigor.

Pelo acordo , os combates cessarão, Israel se retirará parcialmente de Gaza e o Hamas libertará todos os reféns restantes em troca de centenas de prisioneiros mantidos por Israel. Na Casa Branca, Trump disse acreditar que isso levaria a uma "paz duradoura".

Frotas de caminhões transportando alimentos e ajuda médica seriam autorizadas a chegar a Gaza para socorrer civis, centenas de milhares dos quais estavam abrigados em tendas depois que as forças israelenses destruíram suas casas e arrasaram cidades inteiras.

OS OBSTÁCULOS PERMANECEM

O acordo, se totalmente implementado, aproximará os dois lados mais do que qualquer esforço anterior para interromper uma guerra que evoluiu para um conflito regional, envolvendo Irã, Iêmen e Líbano, e aprofundou o isolamento internacional de Israel.
Muita coisa ainda pode dar errado. Mesmo após a assinatura do acordo, uma fonte palestina afirmou que a lista de palestinos a serem libertados ainda não havia sido finalizada. O grupo busca a liberdade de alguns dos mais proeminentes condenados palestinos detidos em prisões israelenses, bem como de centenas de pessoas detidas durante o ataque israelense.

Outros passos no plano de 20 pontos de Trump ainda precisam ser discutidos, incluindo como a Faixa de Gaza destruída será governada quando os conflitos terminarem, e o destino final do Hamas, que até agora rejeitou as exigências de Israel para desarmar.
Netanyahu também enfrenta ceticismo dentro de sua coalizão. O ministro da Segurança Nacional, de extrema direita, Itamar Ben-Gvir, disse que votaria pela derrubada do governo se o Hamas não fosse desmantelado. Ele também afirmou que votaria contra o acordo, como esperado.

Mas o anúncio do fim dos combates e do retorno dos reféns foi recebido com júbilo.

'TODA A FAIXA DE GAZA ESTÁ FELIZ'

"Graças a Deus pelo cessar-fogo, o fim do derramamento de sangue e da matança", disse Abdul Majeed Abd Rabbo em Khan Younis, no sul de Gaza. "Não sou o único feliz; toda a Faixa de Gaza está feliz, todo o povo árabe, todo o mundo está feliz com o cessar-fogo e o fim do derramamento de sangue."

Einav Zaugauker, cujo filho Matan é um dos últimos reféns, comemorou na chamada Praça dos Reféns de Tel Aviv, onde as famílias dos sequestrados no ataque do Hamas que desencadeou a guerra há dois anos se reúnem há muito tempo.

"Não consigo respirar, não consigo respirar, não consigo explicar o que estou sentindo... é uma loucura", disse ela, falando sob o brilho vermelho de um sinalizador comemorativo.

Em Gaza, os ataques e tiroteios israelenses continuaram na quinta-feira, antes do início oficial do cessar-fogo, mas em um ritmo mais lento do que nas últimas semanas, quando Israel conduzia uma de suas maiores ofensivas da guerra.
O Ministério da Saúde de Gaza disse que pelo menos três palestinos foram mortos por disparos israelenses durante o dia de quinta-feira, após relatar nove mortos nas 24 horas anteriores, muito menos do que as dezenas de mortos diariamente nas últimas semanas.

Já havia sinais no terreno de tropas israelenses se preparando para recuar. Uma testemunha ocular perto do campo de Nusseirat, no centro da Faixa de Gaza, disse à Reuters que viu o exército israelense explodir uma posição militar abandonada e baixar um guindaste usado para vigiar a área.
Perto do corredor Netzarim, a principal área de concentração das tropas israelenses no centro de Gaza, o exército disparou dezenas de granadas de fumaça, normalmente usadas para fornecer cobertura às tropas em movimento.

REFÉNS SERÃO LIBERTADOS EM 72 HORAS

Um porta-voz do governo israelense afirmou que o cessar-fogo entraria em vigor dentro de 24 horas após a aprovação do acordo pelo governo. Após esse período de 24 horas, os reféns mantidos em Gaza seriam libertados em até 72 horas.

Acredita-se que 20 reféns israelenses ainda estejam vivos em Gaza, enquanto 26 são presumivelmente mortos, e o destino de dois é desconhecido. O Hamas indicou que recuperar os corpos dos mortos pode levar mais tempo do que libertar os que estão vivos.
Trump disse que viajaria para a região, na esperança de participar de uma cerimônia de assinatura no Egito e discursar no Knesset israelense, seu órgão legislativo.

O acordo recebeu apoio de países árabes e ocidentais e foi amplamente retratado como uma grande conquista diplomática para Trump, que o lançou como um primeiro passo em direção à reconciliação no Oriente Médio.

A conclusão bem-sucedida do acordo representaria uma conquista significativa para o presidente republicano, que tem lutado para cumprir rapidamente suas promessas de trazer paz ao conflito de Gaza e à invasão da Ucrânia pela Rússia.
Países ocidentais e árabes se reuniram em Paris na quinta-feira para discutir uma força internacional de manutenção da paz e assistência para reconstrução de Gaza quando os conflitos terminarem.
Netanyahu chamou o acordo de "um sucesso diplomático e uma vitória nacional e moral para o Estado de Israel".

Mas membros de extrema direita da coalizão de Netanyahu se opõem há muito tempo a qualquer acordo com o Hamas. O Ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, disse que o Hamas deve ser destruído assim que os reféns forem devolvidos.
Mais de 67.000 palestinos foram mortos no ataque israelense a Gaza, lançado depois que militantes liderados pelo Hamas invadiram cidades israelenses e um festival de música em 7 de outubro de 2023, matando 1.200 pessoas e capturando 251 reféns.
Reportagem adicional de Howard Goller, Pesha Magid e Alexander Cornwell em Jerusalém, Jana Choukeir e Tala Ramadan em Dubai, e Jeff Mason e Steve Holland em Washington; Texto de Michael Georgy, Peter Graff e Andy Sullivan; Edição de Timothy Heritage, Rod Nickel e Cynthia Osterman.

Reuters




Israel não libertará envolvidos nos ataques de 7 de outubro. Participantes de atentados de 2023 não serão incluídos no acordo de paz com o Hamas



Entre os 1.950 prisioneiros palestinos mantidos pelas autoridades israelenses que serão trocados com o acordo de paz anunciado entre Israel e o grupo terrorista Hamas, não haverá integrantes das brigadas envolvidas no ataque de 7 de outubro de 2023 nem líderes palestinos como Marwan Barghouti.

Fontes do Hamas detalharam à Agência EFE nesta quinta-feira (9) que outros prisioneiros palestinos de destaque, como Ahmed Sadat, Hasan Salameh e Abbas al Sayed, que o grupo exigiu que fossem libertados da prisão em Israel durante o processo de negociação, também não participarão da troca.

O cessar-fogo na Faixa de Gaza anunciado na noite desta quarta (8) entrará em vigor assim que o governo israelense aprovar em seu gabinete o acordo firmado entre Israel e Hamas no Egito, disse uma fonte do governo à EFE.

O acordo entrará em vigor assim que receber o sinal verde do governo de Benjamin Netanyahu, cujos ministros se reunirão em Jerusalém às 18h locais (12h em Brasília).

De acordo com a fonte, assim que o governo israelense ratificar o plano, as Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês) terão 24 horas para se retirar até a "linha amarela" estipulada no acordo.

Quando isso for feito, o prazo de 72 horas para a libertação dos cerca de 20 reféns israelenses restantes vivos na Faixa começará a contar, disse a fonte, indicando que tal passo deve acontecer no próximo domingo (12) ou na próxima segunda-feira (13).

Como parte do plano, Israel terá que libertar 1.950 prisioneiros palestinos. Cerca de 250 serão prisioneiros condenados à prisão perpétua, enquanto os outros 1.700 serão pessoas detidas na Faixa de Gaza, detalhou à EFE um membro do escritório político do Hamas.

*EFE


Morre em combate ex-soldado do exército brasileiro que lutava na guerra da Ucrânia


Por André Amaral

O soldado catarinense Tailon Ruppenthal, de 41 anos, morador de Três Coroas, no Rio Grande do Sul, morreu em combate na guerra da Ucrânia. A informação foi confirmada pela família nas redes sociais, na tarde desta segunda-feira (6). Ainda não há detalhes oficiais sobre as circunstâncias da morte, que teria sido causada por um drone russo.

A mãe de Tailon, Marileuza Borges Bertolucci, divulgou uma mensagem de despedida ao anunciar o falecimento:

"É com profunda dor e imensa tristeza que comunicamos o falecimento do amado filho Tailon Ruppenthal que partiu deixando saudade eterna em nossos corações. Agradecemos por todas as orações, carinho e respeito neste momento de imensa dor. Que Deus o receba em sua luz e nos dê força para seguir".


Tailon integrava uma unidade de forças especiais no país invadido (Fotos: Arquivo pessoal)
Tailon deixou o Brasil para integrar as forças de defesa ucranianas, em meio ao conflito iniciado com a invasão russa em fevereiro de 2022.

"Hoje o céu ganhou mais uma estrela, e nosso coração chora a partida de nosso querido filho Tailon Ruppenthal. Sua luz e seu amor ficarão para sempre em nós", escreveu Marileuza em outro trecho da homenagem no Facebook.

Até o momento, não houve posicionamento oficial do governo ucraniano ou das autoridades brasileiras sobre o caso.

Em reportagem exclusiva da Rádio Taquara publicada em agosto de 2025, Tailon contou que sua decisão de lutar estava ligada ao desejo de defender a liberdade e ajudar um povo em guerra. Conheça sua história.

Por que Tailon escolheu lutar na Ucrânia
De uma microrregião gaúcha chamada Vale do Paranhana às trincheiras da Ucrânia, a trajetória de Tailon Ruppenthal se desenha entre dois mapas: um que aponta para a vida pacata de uma pequena cidade ao sopé da serra gaúcha; outro que se perde em dois dos mais brutais conflitos do século 21.

O ex-soldado do Exército brasileiro, com passagem por um pedaço turbulento da América Central no começo dos anos 2000, atravessou 12 mil km rumo ao território ucraniano há mais de um mês. Enquanto a família e os amigos seguem suas rotinas quase bucólicas em Três Coroas, ele circula entre cidades arrasadas pela guerra, como Dnipro e Kharkiv. Essa distância, medida não apenas em quilômetros mas em experiências extremas, é a linha de tensão que atravessa sua vida.

De tensão, aliás, ele entende. Em 2004, participou da missão de paz da ONU (Organização das Nações Unidas) no Haiti, organizada para restaurar a ordem e a estabilidade no país caribenho após um período de violência e turbulência política, incluindo a deposição do presidente Jean-Bertrand Aristide. Experiência que, segundo ele, serviu de aprendizado para compreender o caos e a rotina em cenários de instabilidade. E rendeu um livro: 'Um Soldado Brasileiro no Haiti'.

Hoje, está no meio de um conflito no olho do furacão de uma ex-república soviética, atuando em uma unidade de inteligência em região próxima à fronteira com Rússia. De lá, ele falou com exclusividade à Rádio Taquara, descrevendo a vida em meio à guerra.

Entre o ideal e a sobrevivência
"Escolhi ser soldado na guerra da Ucrânia por um motivo fundamental: a crença na liberdade e na justiça", como Tailon já havia relatado aqui, em outra reportagem da Rádio Taquara que contou a história do taquarense Eric da Silva Oliveira, que também se alistou na Legião Internacional de Defesa Territorial da Ucrânia.

"Não sou ucraniano de nascimento, mas a invasão russa me tocou profundamente. Vi um país soberano ser atacado sem provocação e testemunhei a violência infligida a pessoas inocentes".

O percurso de Tailon mistura convicções, contradições e escolhas duras. Do Vale do Paranhana à linha de frente da guerra mais midiática do século, ele vive uma experiência que transforma a própria noção de sobrevivência.


O brasileiro a bordo de um veículo tático das forças ucranianas (Foto: Arquivo pessoal)
Entre drones carregados de explosivos, minas enterradas sob lama, grupos extremistas aliados e uma filha adolescente que o espera a milhares de quilômetros, Tailon se equilibra entre o homem que deixou para trás há pouco mais de 30 dias, um produtor de audiovisual, e o homem que é agora: um combatente em um campo de batalha sem data para acabar.

"Minha especialidade aqui é pilotar e operar drones, oferecendo apoio direto às tropas. Utilizamos equipamentos de reconhecimento, com visão térmica e visão noturna, dentro da linha de tecnologia disponível aqui", explica.

Tailon integra uma unidade de inteligência formada majoritariamente por brasileiros. Desde que chegou, passou por Dnipro, importante centro econômico e estratégico no mapa do conflito, e atualmente está em Kharkiv, segunda maior cidade da Ucrânia, reconhecida por sua indústria e centros de pesquisa.

Segundo ele, os homens que o acompanham não são aventureiros: todos têm experiência militar ou histórico em segurança internacional.

"A grande maioria aqui é formada por ex-militares do Exército Brasileiro ou por pessoas que já tinham algum tipo de treinamento militar. Também há seguranças, agentes e outros profissionais com vasta experiência em missões ao redor do mundo", relata o três-coroense.

Tailon detalhou a natureza das missões do grupo de forças especiais brasileiro ao qual pertence, ressaltando a confidencialidade e os riscos envolvidos, já que suas missões envolvem ataques à infraestrutura das forças russas.

"Somos um grupo de forças especiais, uma unidade de 20 homens, todos brasileiros, comandados por alguns gaúchos que também estão aqui. Por se tratar de uma unidade de forças especiais, muitas informações não podem ser compartilhadas. Algumas missões são secretas, envolvendo sabotagem, minas, colocação de explosivos e atividades similares".


A unidade que ele integra recebeu uma preparação de alto nível antes de cair no front.

"Nosso grupo é, de certa forma, diferenciado justamente pelo nível de preparação: recebemos um treinamento que poucos tiveram até agora na Ucrânia, e isso foi crucial para que muitos permanecessem vivos. Já outros, sem preparo adequado, acabam enviados direto para a linha de frente, e é por isso que tantos vêm morrendo, inclusive brasileiros".

Essa preparação é vital num país em que, segundo Tailon, até a própria população civil pode representar risco, já que sua unidade transita por regiões separatistas e favoráveis ao presidente russo Vladimir Putin.

"Somos uma unidade e nos deslocamos sempre em grupos pequenos. Isso porque, dentro da própria população, há pessoas pró-Rússia, que apoiam Moscou. Temos ordens de sermos cautelosos: podem existir artefatos explosivos ou até veneno. Por isso, precisamos proteger nossa posição o tempo todo. Quando saímos para a cidade, evitamos usar uniformes militares e circulamos em veículos civis, para não chamar atenção".

Além da ficção
Além das análises sobre a política europeia, Tailon também falou sobre o cotidiano de combate e o impacto de estar em um front de guerra. Para ele, o apoio externo à Ucrânia é vital, ainda que a adesão imediata do país à União Europeia (UE) não esteja no horizonte.

"Eu acredito que a União Europeia deve ampliar o apoio à Ucrânia. Não vejo uma entrada imediata como membro, mas há países que mantêm a máquina funcionando aqui graças à ajuda que oferecem. Recentemente, a Polônia acabou sendo atingida por um drone russo e prometeu retaliar. Ao mesmo tempo, o lado russo também demonstra enfraquecimento. Os ucranianos têm realizado ataques pontuais contra refinarias e linhas férreas, o que desestabiliza ainda mais a infraestrutura deles, entende?", relata o soldado.

Na comparação com outras experiências, Tailon afirma que nada se equipara ao que testemunha na Ucrânia. O treinamento, o tipo de missão e a intensidade do campo de batalha são de outra ordem.

"Nada se compara ao que a gente vê no front. A missão no Haiti foi importante, me preparou para muitas coisas, mas o que acontece dentro de um campo de batalha como o da Ucrânia é completamente diferente. Aqui o treinamento é outro, voltado para forças especiais, algo que eu nunca tinha tido no Exército. O que a gente presencia no front é o tipo de coisa que, antes, só parecia existir em filmes, e quando você se depara com essa realidade, o impacto é enorme".

Entre explosões, treinos intensos e a rotina sui generis de um soldado, Tailon descreve como mantém o foco para exercer suas funções na linha de frente.

"Mesmo assim, seguimos firmes, cuidando do físico e do mental, focados no que viemos buscar. Não é só questão financeira, como já te disse, mas também a vontade de apoiar, de colocar em prática o conhecimento e o treinamento. Quem já viveu isso como militar sabe que é algo que fica dentro da gente. No meu caso, o trabalho com drones é principalmente voltado a salvar vidas: denunciar posições inimigas, fazer reconhecimento, muitas vezes à frente da tropa que está prestes a iniciar uma incursão".

Mesmo que a tecnologia sirva para reduzir baixas, a guerra, como ele mesmo admite, cobra o preço mais alto.

"Mas, claro, como o nome diz, se estamos em guerra, é preciso fazer uso da força. Seguimos ordens e também precisamos nos defender, então inevitavelmente acabamos tirando vidas", revela.

Tailon detalha os perigos do terreno em que sua unidade opera. Andar pelo país é uma tensão constante de, literalmente, ver tudo ir pelos ares. "A maioria dos locais em que atuamos hoje já havia sido ocupada pelos russos, e muitos ainda estão repletos de minas, armadilhas e dispositivos de escuta. Por isso, precisamos estar sempre atentos".

O deslocamento a pé, comum nas operações, exige atenção redobrada. "Grande parte das nossas incursões é feita a pé: caminhamos pela mata, pântanos e terrenos variados, sempre com cuidado extremo por causa das minas. Aqui, as minas são uma das principais causas de mutilação. Existem minas antitanque, minas pessoais e algumas que atuam em um raio de 200 metros, liberando até 2,4 mil esferas de metal. Muitas são antigas, da época da União Soviética, mas ainda funcionam perfeitamente".

O lado humano no front
Em meio ao barulho dos bombardeios, Tailon fala sobre laços humanos. O convívio com outros combatentes é o que sustenta sua moral e das tropas.

"Até certo momento eu estou me mantendo bem, estou consciente da minha escolha também e a gente faz boas amizades aqui, que é isso que eleva a nossa moral e faz com que a gente consiga, muitas vezes, estar resistindo. Até porque a gente não está sozinho, né? De certa forma, quando tu tem bons companheiros, pessoas que tu já tira como irmão, isso influencia muito em tudo", conta.

Sua vida no Brasil segue presente no pensamento. Ele é pai de uma adolescente de 14 anos que vive em Três Coroas e estuda em Taquara, no IACS. A distância é uma das marcas mais pesadas dessa escolha.

Se a guerra oferece pouco espaço para esperanças, Tailon ainda encontra pilares de apoio. Entre eles a fé.

"O apoio da minha família é muito forte, principalmente da minha filha. Ela vibra com tudo que está acontecendo e conhece os meus objetivos, que também incluem ela de certa forma. Isso nos dá força. E há também a fé. A fé de que tudo vai dar certo e a minha fé em Deus".

Em meio ao relato carregado de espiritualidade, Tailon interrompeu o áudio para fazer uma observação.

"Não sei se você consegue ouvir os disparos ao fundo, da artilharia antiaérea abatendo drones russos".

Três Coroas, Kharkiv
Mesmo num cenário hipotético de cessar-fogo, o retorno de Tailon ao Brasil é algo fora dos planos. Ele falou sobre o que pode vir a ser seu futuro de médio a longo prazo no país.

"O contrato que assinei tem duração de três anos, podendo ser rescindido antes, se necessário. Acredito que a guerra deve se estender por pelo menos mais dois anos. Há indícios de que eles [forças ucranianas] pretendem estruturar uma unidade mais forte e criar um exército sólido aqui. Grande parte das informações que recebemos aponta nesse sentido, o que abre a possibilidade de exercer uma carreira militar na Ucrânia", conta.

Se decidir permanecer, o novo lar terá algumas familiaridades. O catarinense natural de Araranguá, que um dia escolheu Três Coroas como lar, se impressionou com a beleza do país do Leste Europeu, onde, guardadas as devidas proporções, sente ares que lembram o Rio Grande do Sul.

"É um país bonito e, de certa forma, acolhedor. A população me lembra muito a miscigenação do Rio Grande do Sul. Sempre que mostro como é a vida lá, eles ficam impressionados".

Em meio ao barulho de artilharia antiaérea, o ex-produtor de audiovisual planeja registrar a guerra com suas próprias lentes no futuro.

"Gostaria de ter trazido meu equipamento, mas não trouxe por segurança. Mais adiante pretendo captar imagens aqui e transformar em documentário", diz.

Zelensky sob desgaste
Ao falar sobre suas impressões sobre a popularidade de Volodymyr Zelensky em meio à população, Tailon adota tom pragmático.

"Chegou a ter uma aprovação de mais de 90% dentro do país. Mas, com a prolongação da guerra e as dificuldades, a imagem começou a se desfigurar. O tema da corrupção, como nas compras de drones, tem pesado bastante", opina Tailon, fazendo menção ao caso revelado no início deste mês, quando órgãos anticorrupção da Ucrânia revelaram um esquema de superfaturamento na compra de drones militares e sistemas de interferência de sinal.

Atualmente, cerca de 10,6 milhões de pessoas ucranianas estão deslocadas de forma forçada, incluindo 3,7 milhões de deslocados internos dentro do próprio país e 6,8 milhões como refugiados no exterior, em busca de proteção internacional, segundo a ACNUR, sigla para Agência da ONU para Refugiados.

Ainda assim, ele acredita que a Ucrânia deve se integrar à União Europeia, mas apenas depois de um acordo de paz.

Zelensky afirmou na semana passada que solicitou a Donald Trump que pressione a Hungria a apoiar a entrada da Ucrânia no bloco europeu. O governo de Budapeste, liderado por Viktor Orbán, mantém relações estreitas com os Estados Unidos, mas tem se mostrado contrário à adesão ucraniana.

Crimes de guerra
Tailon não esconde incômodo com a presença de facções que atuam dentro das forças ucranianas. Questionado, ele falou sobre o que pensa a respeito do Batalhão Azov, uma milícia ultranacionalista ucraniana de inspiração neonazista que Kiev incorporou à Guarda Nacional.

"Eles não poupam crianças, não poupam mulheres, não poupam ninguém. Cometem crimes de guerra".

A guerra, lembra, é atravessada por contradições éticas e morais que atingem até quem diz lutar pela liberdade.

"A presença de ideologias tão odiosas e perigosas em qualquer situação, especialmente em uma guerra, é profundamente perturbadora".

O Batalhão Azov mantém vínculos antigos com as forças de segurança ucranianas. A incorporação do grupo à Guarda Nacional buscou oficializar a subordinação dos combatentes paramilitares ao comando do Exército na luta contra os separatistas apoiados pela Rússia em Donbass.

A passagem pelo Haiti
A guerra entre Kiev e Moscou não é o primeiro contato de Tailon com realidades instáveis. Ele falou sobre sua missão no Haiti, experiência que deixou marcas profundas.

Ele fez um paralelo entre a complexa história do país caribenho com a da Ucrânia, destacando a luta pela independência, os embargos geopolíticos e as intervenções externas, além das consequências duradouras para a população.

"O Haiti tem uma história muito forte e bonita, marcada pela luta pela independência, assim como a Ucrânia. Mas a comparação entre os dois países é complicada. O Haiti foi a primeira república negra das Américas, conquistando sua independência em 1804, após longos períodos de escravidão sob domínio francês. O país sofreu inúmeros embargos, pois representava um risco geopolítico na região do Caribe".

A experiência no Haiti ofereceu a primeira imersão em realidades instáveis, moldando sua visão sobre conflitos e resistência. E, sobretudo, de mundo.

"Até hoje, a população fala francês e crioulo, uma mistura de inglês, francês e línguas africanas. Apesar de se libertarem dos franceses, muitos líderes que assumiram o poder acabaram perpetuando práticas autoritárias, como durante os governos de Papa Doc [François Duvalier, presidente do Haiti de 1957 a 1971] e Baby Doc [Jean-Claude Duvalier, presidente do Haiti de 1971 a 1986], e a intervenção constante dos EUA também marcou a história. O país, que já foi uma das maiores potências produtoras de café e açúcar, mergulhou na miséria. Ao atravessar a fronteira para a República Dominicana, a diferença é tão grande que parece outro planeta: língua espanhola, outra cultura, outro contexto histórico".

O andamento do conflito
A Rússia iniciou, em fevereiro de 2022, uma invasão em larga escala da Ucrânia e hoje controla cerca de um quinto do território do país vizinho. Ainda naquele ano, o presidente russo, Vladimir Putin, anunciou a anexação de quatro regiões ucranianas: Donetsk, Luhansk, Kherson e Zaporizhzhia.

O avanço russo pelo leste do país é lento, mas Moscou não demonstra intenção de abrir mão de seus principais objetivos militares. Enquanto isso, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pressiona por um acordo de paz.

A Ucrânia intensificou ataques dentro do território russo, afirmando que as operações têm como alvo a infraestrutura essencial do Exército russo. Em resposta, o governo de Putin ampliou os ataques aéreos, incluindo ofensivas com drones. Ambos os lados negam atingir civis, mas milhares de pessoas já morreram, a maioria ucraniana.

Estima-se também que milhares de soldados tenham perdido a vida na linha de frente, embora nenhum dos lados divulgue números oficiais de baixas militares. Segundo dados dos Estados Unidos, 1,2 milhão de pessoas ficaram feridas ou mortas desde o início do conflito.





Batalhão Azov em Mariupol (Foto: Flickr)

Mais de 200 alpinistas estão presos no Monte Everest há 3 dias. Ponto mais alto do mundo foi atingido por forte nevasca




Mais de 200 alpinistas ainda estão presos no Monte Everest nesta terça-feira (7,) após uma nevasca atingir a região no último sábado (4). Eles caminham com a ajuda de guias até um ponto de encontro, onde receberão o atendimento necessário, de acordo com a emissora estatal CCTV. O grupo passou a noite desta segunda (6), em tendas a uma altitude de mais de 4,9 mil metros.

Outras 350 pessoas que também ficaram presas no sábado já conseguiram sair. O alpinista Eric Wen estava nesse grupo e disse ao jornal South China Morning Post que nunca tinha passado por algo tão difícil antes.

– A cada dez minutos, nós tínhamos que limpar a neve da barraca, porque, se não, o peso da neve pesada iria destruí-la – afirmou.

Ele também disse que as pessoas tiveram que ficar próximas para se aquecerem no frio congelante.

Outro alpinista, identificado pelo jornal Xiaoxiang Morning Herald apenas como Dong, afirmou que a neve começou a cair na tarde de sábado e que a situação piorou durante a madrugada de domingo (5).

– Nunca vi uma tempestade com tanta neve e relâmpago – disse.

O Everest tem 8,9 mil metros de altura e fica entre a China e o Nepal. A região estava movimentada no final de semana devido ao feriado de oito dias do Dia Nacional da China.

*AE

Inteligência: Coreia do Norte fornece 50% da munição da Rússia. A cooperação entre Moscou e Pyongyang está se intensificando.


Putin e Kim Jong-un durante uma recepção de estado em homenagem a Putin na Casa de Recepção em Pyongyang, Coreia do Norte, 19 de junho de 2024.
Foto: EPA/UPG
A Coreia do Norte fornece à Rússia de 35 a 50% da munição necessária, enviando cerca de 200.000 a 260.000 projéteis de artilharia de 152 mm e 122 mm por mês.

Isto foi afirmado por Oleg Alexandrov, um funcionário do Serviço de Inteligência Estrangeira da Ucrânia, em uma entrevista ao Ukrinform .

Segundo ele, a RPDC também transferiu para a Rússia lançadores e mísseis balísticos de curto alcance KN-23 e KN-24, que a Federação Russa usa ativamente para atacar cidades ucranianas.

Ambos os lados estão usando a guerra contra a Ucrânia como um campo de testes para testar e melhorar as armas norte-coreanas, incluindo o ATGM Phoenix-2 modernizado, o sistema de mísseis de longo alcance Bulsae-4 e o sistema de lançamento múltiplo de foguetes KN-25 de 600 mm.

A inteligência também registrou a presença de um contingente de 8.500 a 13.000 soldados norte-coreanos na região russa de Kursk, permitindo que Moscou transferisse suas próprias forças para a frente de batalha na Ucrânia. Em setembro, cerca de mais mil soldados chegaram à região, incluindo sapadores e operários da construção civil.

Além disso, o Kremlin está recrutando ativamente trabalhadores migrantes norte-coreanos para suprir a escassez de mão de obra. Atualmente, mais de 17.800 cidadãos norte-coreanos trabalham na Rússia e, em um futuro próximo, está previsto o recrutamento de mais 26.000, alguns dos quais serão enviados para construir instalações em áreas temporariamente ocupadas da Ucrânia.

Alexandrov enfatiza que a cooperação entre Moscou e Pyongyang está se fortalecendo, e a Coreia do Norte está se tornando uma das principais fontes de apoio militar para o exército russo.

O ‘Canal do Panamá chinês’ já está sendo construído na América do Sul

Beijing conecta megaprojetos no Brasil e no Peru para reduzir prazos, cortar custos e ampliar sua influência na região

A China está criando um corredor logístico inédito na América do Sul, integrando dois megaprojetos: o porto de Chancay, no Peru, e a ferrovia bioceânica, no Brasil. A iniciativa pretende reduzir tempos de transporte, cortar custos e desafiar o domínio do Canal do Panamá nas rotas transcontinentais. As informações são do The Express.

Segundo relatório da Horizon Advisory, Beijing não busca apenas eficiência comercial, mas também ampliar sua influência política e econômica no continente.

O megaporto de Chancay, inaugurado em novembro de 2024, foi projetado para receber navios de grande porte, com capacidade automatizada e zonas logísticas. Orçado em US$ 3,5 bilhões, ele foi construído dentro da Nova Rota da Seda (BRI, na sigla em inglês, de Belt And Road Initiative), uma iniciativa do presidente chinês Xi Jinping centrada no investimento em infraestrutura e que visa espalhar a influência de Beijing pelo mundo.

A estrutura transforma o Peru em um hub de distribuição para a costa oeste da América do Sul, criando uma rota direta entre a Ásia, os Andes e o Cone Sul, sem necessidade de passagem pelo Panamá.

Terminal portuário de Chancay (Foto: Presidencia Peru/Flickr)
O projeto prevê uma ferrovia que cruza o Brasil, conectando o interior a portos atlânticos. A linha reduziria gargalos e funcionaria como complemento ao porto de Chancay, criando uma rede integrada que evita congestionamentos e custos elevados no Canal do Panamá.

O impacto sobre o Canal do Panamá
O novo corredor logístico impulsionado pela China poderia reduzir significativamente o tempo e os custos do transporte internacional, permitindo que cargas cruzem o continente por terra em vez de depender exclusivamente do Canal do Panamá. Além disso, oferece maior resiliência, já que o canal tem sido periodicamente afetado por secas e congestionamentos que limitam sua capacidade de operação.

Há também uma dimensão estratégica: com o financiamento, a construção e a operação sob controle chinês, exportadores sul-americanos podem acabar sujeitos a condições e preços alinhados aos interesses de Beijing. Para a Horizon Advisory, não se trata de uma substituição direta ao Panamá, mas de uma alternativa viável e escalável, capaz de enfraquecer o papel dominante do canal como principal eixo do comércio transcontinental.

Reação dos Estados Unidos
Um porta-voz do Departamento de Estado afirmou que Washington espera que países latino-americanos mantenham soberania sobre infraestrutura crítica e evitem acordos que prejudiquem suas economias. Os EUA também prometem apoiar decisões informadas sobre projetos ligados à China em todo o Hemisfério Ocidental.



Kim Jong-un visita navio de guerra de última geração e manda recado direto aos ‘inimigos’

O líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, solicitou o fortalecimento da força naval norte-coreana para "dissuadir e combater completamente as provocações inimigas". A declaração foi feita durante visita ao primeiro destróier de 5 mil toneladas do país, o Choe Hyon, conforme informou a Agência Central de Notícias da Coreia (KCNA, da sigla em inglês) nesta segunda-feira (6).

Kim realizou a inspeção no domingo (5), acompanhado por altos funcionários do Partido dos Trabalhadores e do governo. O novo destróier multifuncional foi revelado em abril como parte da estratégia de reforço militar e modernização das forças marítimas de Pyongyang.
Durante o discurso, o líder afirmou que o partido continuará os esforços de expansão naval "sem um instante de estagnação", com o objetivo de fortalecer a defesa nacional e "proteger o cerne dos direitos soberanos" da Coreia do Norte.

"A tremenda capacidade da nossa marinha deve ser exercida nos vastos oceanos para dissuadir, combater e punir completamente as provocações do inimigo", disse Kim, destacando a importância de "garantir a soberania e a segurança nacional".

O destróier Choe Hyon está equipado com mísseis de cruzeiro estratégicos supersônicos, mísseis balísticos táticos e outros sistemas de ataque. Em junho, outro navio da mesma classe, lançado em maio, sofreu danos após virar durante uma tentativa de lançamento malsucedida.

De acordo com a KCNA, a Coreia do Norte planeja concluir a construção de um novo destróier de 5 mil toneladas até 10 de outubro de 2026, reforçando ainda mais sua presença marítima na região.


GUERRA AO MINUTO | Rússia lançou "ataque combinado" com mais de 50 mísseis e 500 drones, denuncia Zelensky



Volodymyr Zelensky acusa a Rússia de ter lançado um "ataque combinado" com "mais de 50 mísseis e cerca de 500 drones" contra várias regiões ucranianas, nomeadamente Lviv, Ivano-Frankivsk, Zaporizhzhia, Chernihiv, Sumy, Kharkiv, Kherson, Odesa e Kirovohrad.

O ataque fez pelo menos cinco mortos e 10 feridos, acrescentou o presidente ucraniano na rede social X.

Fim da obrigatoriedade de autoescolas: veja os argumentos a favor e os contra a mudança

Discussão sobre fim da obrigatoriedade está em discussão; podcast O Assunto ouviu dois especialistas com argumentos em relação à medida.

O fim da obrigatoriedade da autoescola para obter a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) está em discussão - uma consulta pública foi aberta na última quinta-feira (2). O episódio da sexta-feira (3) do podcast O Assunto apresentou dois pontos de vista diferentes sobre o fim da obrigatoriedade: um a favor e um contra.

Na conversa com Natuza Nery, Paulo Cesar Marques da Silva apresentou argumentos a favor do fim da obrigatoriedade. Doutor em Estudos de Transporte pela Universidade de Londres e professor da UnB, Paulo afirma que o alto número de acidentes no Brasil mostram que não há evidências de que o sistema atual seja eficaz. Para ele, o que acontece hoje é: por causa do alto custo para tirar a carteira de motorista, há uma "fuga do processo de habilitação". OUÇA A PARTIR DO MINUTO 4:18 NO PLAYER ACIMA.

Os argumentos contrários à medida foram expostos por David Duarte Lima, doutor em segurança de trânsito pela Universidade Livre de Bruxelas. Para ele, as autoescolas são importantes pois representam o primeiro contato "formal" com a legislação de trânsito, com o conceito de direção defensiva e para o desenvolvimento de habilidades para conduzir um veículo. OUÇA A PARTIR DO MINUTO 18:11 NO PLAYER ACIMA.

Argumentos a favor da medida
Fuga do sistema: Paulo diz que o alto custo e a burocracia envolvida no processo para tirar a carteira de motorista provoca uma "fuga do sistema". Na avaliação dele, essa fuga é um risco maior para o trânsito do que o processo de flexibilização para tirar a CNH;
Alto custo como barreira de acesso: para obter a CNH, o custo pode passar de R$ 4 mil em alguns estados brasileiros. "Esse valor afasta muitas pessoas que precisam de habilitação para trabalhar e sustentar a família", argumenta. A medida proposta é vista por ele como uma "democratização para obtenção da habilitação", permitindo que mais pessoas sejam avaliadas pelo poder público no momento de obter a carteira de motorista;
Outros modelos: Paulo citou exemplos de países que são referência em segurança no trânsito, como os países escandinavos e o Reino Unido. Nestes países, não há um processo rígido de obrigatoriedade de autoescolas, mas sim nos testes práticos e teóricos. Além disso, há fiscalização eficiente para impedir que condutores não habilitados circulem;
Cultura: Paulo argumenta que as causas do alto número de acidentes estão mais ligada ao comportamento de motoristas no trânsito do que à formação técnica. Ele cita atitudes agressivas, falta de cidadania e de respeito no trânsito como parte das causas dessa alta de acidentes. "É um problema de educação da sociedade como um todo, que a autoescola não resolve sozinha", afirma;
Qualidade do exame prático: para ele, a qualidade do exame prático para motoristas tirarem a CNH é deficiente. Paulo é crítico ao modelo atual adoto no Brasil, principalmente para motociclistas. Segundo ele, atualmente os testes consideram mais a habilidade de controlar a moto em baixa velocidade do que em situações "reais" de trânsito. Ele dá o exemplo do Reino Unido, onde o teste é feito em vias públicas, com o condutor enfrentando condições reais.
Argumentos contra a medida
Falta de plano de substituição: David usa a metáfora de que "a gente não destrói uma casa velha antes de construir uma nova" para dizer que ainda não há um plano de modelo concreto para substituir a obrigatoriedade das autoescolas. "Antes de a gente mudar de modelo, é preciso fazer isso com muito cuidado", diz;
Papel das autoescolas: Ele considera que as autoescolas têm papel fundamental na formação dos condutores, pois são o local onde o candidato a motorista tem o primeiro contato estruturado com conceitos essenciais como legislação de trânsito, direção defensiva e as habilidades iniciais para conduzir um veículo. Para David, a autoescola é uma "sala de aula que anda", e aponta que o instrutor "precisa orientar a atenção do aluno, com uma didática complexa". David reforça a necessidade de um sistema de ensino robusto, e não o enfraquecimento dele;
Qualidade das autoescolas: Para David, o problema está na qualidade atual das autoescolas, com instrutores mal preparados, e que "ensinam mal". David admite que o sistema atual forma motoristas com habilidades ruins. No entanto, ele vê esta falha como um argumento para reformar e melhorar o sistema, e não para abandoná-lo;
Modelo espanhol: Ele usa o exemplo da Espanha, onde o trânsito era muito violento e a solução não foi eliminar a formação obrigatória, mas sim investir maciçamente nela. David relembra que o país definiu o que seria o perfil de um bom condutor e, depois, focou em melhorar a capacitação dos instrutores, buscando apoio universitário para criar materiais de alta qualidade. O resultado foi uma queda de 80% na mortalidade no trânsito em menos de 10 anos, segundo David;
Alto custo: Embora reconheça que o alto custo é uma barreira real para a população de baixa renda, David alega que o valor total para tirar a CNH não é composto apenas pelo treinamento em autoescolas. O processo também inclui avaliação psicológica, exame médico e as taxas do Detran, indicando que a simples remoção da obrigatoriedade da autoescola não eliminará o problema do custo para tirar a carteira de motorista.




Ex-líder sírio, Bashar al-Assad é alvo de envenenamento na Rússia

 


O ex-ditador da Síria, Bashar al-Assad, de 60 anos, foi alvo de uma tentativa de assassinato por envenenamento em Moscou, na Rússia, país onde recebeu asilo político após a queda de seu governo. As informações foram divulgadas pelo Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH).

Conforme o relatório, Assad foi levado às pressas para um hospital, em junho nos arredores da capital russa, após apresentar sinais da intoxicação. Ele teria ficado internado em estado crítico desde então, e recebido alta médica somente nesta segunda-feira (29). Seu quadro de saúde atual é considerado estável.

No período em que Assad esteve internado, apenas seu irmão, Maher al-Assad, e o ex-secretário-geral de Assuntos Presidenciais, Mansour Azzam, receberam autorização para visitá-lo. Guardado por um forte esquema de segurança, o ex-ditador não é visto em público desde sua chegada à Rússia.

A suspeita, de acordo com o observatório, é de que a operação para envenenar al-Assad tinha como objetivo “envergonhar o governo russo e acusá-lo de ser cúmplice de sua morte”. O Kremlin, contudo, não chegou a se pronunciar sobre o caso.

Bashar al-Assad foi deposto em dezembro do ano passado, após insurgentes liderados pelo grupo Hayat Tahrir al-Sham (HTS) tomarem Damasco. Atualmente, o país é governado pelo presidente interino Ahmed al-Sharaa, que discursou na Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU) no último dia 24, se tornando o primeiro chefe de Estado sírio a ter a palavra na tribuna desde 1967.

– Por longos anos, sofremos injustiça, privação e opressão. Então, nos erguemos para reivindicar nossa dignidade. Esta conquista síria única e a solidariedade entre nossos povos nos levaram a tentar erradicar o sectarismo e a lutar contra as tentativas de dividir nosso país, mais uma vez – declarou Sharaa, na ONU.

Sindicato de irmão de Lula pagou R$ 8,2 mi a parentes de dirigentes.

 


Dados constam no Relatório de Inteligência Financeira

O Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos da Força Sindical (Sindnapi), que tem Frei Chico, irmão do presidente Lula (PT), como vice-presidente, pagou pelo menos R$ 8,2 milhões a empresas de familiares de dirigentes da entidade.

Dados sobre os pagamentos constam no Relatório de Inteligência Financeira (RIF) sobre o Sindnapi, encaminhado à CPMI do INSS no Congresso.

Os pagamentos mencionados no RIF referem-se ao período de 2019 a 2025.

As empresas que receberam os repasses do sindicato têm como donos os parentes do atual presidente da entidade, Milton Baptista de Souza Filho, o Milton Cavalo, e do ex-presidente, antecessor de Milton, João Batista Inocentini, o João Feio, morto em agosto de 2023. As informações são da coluna de Andreza Matais, do Metrópoles.

Jornalista revela o que viu no 8/1 em Brasília: “Quase uma chacina” - Marcos Vanucci foi o único jornalista preso nas manifestações

 


Em entrevista ao Pleno Time, programa político do Pleno.News, o jornalista Marcos Vanucci contou tudo o que viu nos atos do 8 de janeiro, pelo qual ele ficou detido por mais de 70 dias. O comunicador, que já passou por veículos como Globo, Record, CBN, RedeTV! e SBT, estava na Praça dos Poderes cobrindo a manifestação de forma independente.

Vanucci começou explicando o que o motivou a fazer a cobertura.

– Assistindo tudo que a gente vem assistindo no país, infelizmente, a debandada, a prostituição da imprensa brasileira na época em que começaram as manifestações do Brasil… eu entendi que eu teria neste momento o compromisso de dar voz àquelas pessoas, já que nós não podíamos contar com o trabalho da imprensa que manipulava e continua manipulando a opinião pública

até hoje. Foi este o principal motivo que me levou à Brasília algumas vezes. Inclusive na véspera do fatídico 8 de janeiro – relatou.

Vanucci diz ter assistido “quase uma chacina a céu aberto”, mas que não teria sido perpetrada pelas pessoas que acampavam nas portas dos quartéis.

– Dizer que aquelas pessoas estavam preparadas, que elas estavam armadas, que elas estavam intencionadas em promover qualquer tipo de de manifestação mais violenta, isso é uma grande mentira – disse.

O jornalista disse ter percebido a presença de um grupo “distinto” dos manifestantes que saíram do QG do Exército.

– Este grupo não me parecia um grupo que estivesse alinhado ao comportamento, à maneira de se portar, à maneira de se vestir de como os as pessoas que estavam concentradas no QG.

– Eu vi exatamente que existia essa diferença, e ali me acendeu um sinal de alerta, que foi exatamente esse sinal de alerta, este “start” que me faz acreditar, né… e afirmar para vocês aqui que exatamente foi este grupo que desceu à frente dos manifestantes e promoveu a quebradeira antes de os manifestantes do QG chegarem ao Planalto – afirmou.


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